Compreensão crítica da EJA e seus sujeitos

“[...] sempre vi a alfabetização de adultos como ato político e um ato de conhecimento, por isso mesmo, como um ato criador. “ - Paulo Freire (1982, p. 21)

Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade que carrega em si a potência da reconstrução de vidas. Ela é regida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/96, Art. 37) e orientada por princípios da Educação como direito humano, tal como estabelecido no Plano Nacional de Educação e nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA.

Os sujeitos da EJA, historicamente afastados da escola, não são frágeis nem incapazes. São pessoas com trajetórias intensas, saberes acumulados e olhares potentes sobre o mundo. São trabalhadoras, mães solo, jovens interrompidos, pessoas trans, idosos que resistem ao tempo e às violências da exclusão. Na Bahia — estado com enorme diversidade racial e cultural — a EJA é uma das poucas portas de acesso à escolarização para grande parte da população negra e periférica.

No entanto, ainda persiste uma lógica que trata esses sujeitos como atrasados, como se fossem o problema e não o sintoma de um país com políticas que geram práticas excludentes. Por isso, é extremamente necessário romper com essa narrativa, valorizando os percursos de vida dessas pessoas e reconhecendo a EJA como espaço legítimo de produção e reprodução de saberes.

Ensinar para a EJA é, antes de tudo, um ato de reconhecimento. É saber que cada estudante carrega uma história que não começa (nem termina) na escola — mas que pode ser potencializada nela. A sala de aula da EJA é uma encruzilhada onde diferentes histórias, idades, saberes e desejos se cruzam. E é nesse cruzamento que está a força da formação: não há linha reta, não há manual. Há escuta, afeto, disputa e reexistência.

Abaixo, convidamos você a refletir e compartilhar sua experiência:

  • Você já abordou questões raciais em suas aulas de inglês? Como foi essa experiência?
  • Quando você ouviu sobre o conceito de letramento racial?
  • Quais são os maiores desafios que você encontra para desenvolver práticas antirracistas?
  • De que forma a EJA amplia (ou desafia) suas perspectivas sobre raça, linguagem e ensino?
  • Que materiais, autores ou práticas você recomendaria para outros(as) docentes que desejam aprofundar o letramento racial e educação antirracista