3 – Formação docente e compromisso político com a EJA

A atuação na Educação de Jovens e Adultos exige do(a) professor(a) muito mais do que domínio de conteúdo: requer sensibilidade social, compromisso ético e consciência histórica. No Brasil, a formação de professores para a EJA é uma exigência legal — prevista na LDB nº 9.394/1996 (Art. 62 e Art. 37, § 2º) e na Resolução CNE/CEB nº 1/2000, que estabelece diretrizes para a oferta da modalidade. A legislação afirma que a formação de educadores da EJA deve considerar as especificidades dos sujeitos atendidos, seus saberes prévios, suas trajetórias e realidades de vida.

Apesar disso, muitos cursos de licenciatura ainda negligenciam a EJA como campo legítimo de atuação. A modalidade permanece, muitas vezes, à margem dos currículos formativos, o que compromete a qualidade das práticas pedagógicas e perpetua visões estigmatizadas sobre seus estudantes. Esse apagamento deixa evidente a necessidade de formações, autoformações e percursos formativos intencionais, como o que este site propõe.

A (o) docente da EJA precisa ser alguém que ensina, mas também aprende; que reconhece o outro como legítimo portador de saberes; que acolhe, escuta e dialoga. A sala de aula da EJA não é um lugar apenas de transmissão de conteúdos, mas um espaço de reconstrução de histórias e de reencantamento com o conhecimento. Nessa perspectiva, a (o) professor(a) torna-se mediador(a) de processos de transformação individual e coletiva, operando em um território pedagógico que cruza afetos, memórias, ancestralidades e resistências.

Como nos lembra a Pedagogia das Encruzilhadas (Rufino, 2020), o caminho da docência não é reto, mas atravessado por experiências, encontros e saberes diversos. A EJA exige que o(a) educador(a) reconheça essa encruzilhada e atue com escuta, atenção, criticidade e compromisso com a justiça social.

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