Práticas pedagógicas no ensino de língua inglesa para habilidade leitora com uso de letras de músicas

O ensino de língua inglesa na Educação de Jovens e Adultos (EJA) precisa ultrapassar a lógica tradicional do ensino mecânico e descontextualizado. Neste espaço, a prática pedagógica deve ser situada, crítica e sensível às trajetórias das pessoas envolvidas no processo. A linguagem, enquanto ferramenta de comunicação, identidade e poder, precisa ser compreendida como um ato político, e não neutro — especialmente quando ensinada a sujeitos historicamente excluídos dos espaços de letramento, como os da EJA.

A abordagem comunicativa, que prioriza o uso autêntico da língua e o desenvolvimento das quatro habilidades (leitura, escrita, fala e escuta), é uma das mais utilizadas no ensino de línguas estrangeiras. No entanto, na EJA, é essencial que essa abordagem seja adaptada a contextos reais e culturalmente significativos, valorizando os saberes prévios dos estudantes e seus interesses. Nesse sentido, o foco na habilidade leitora oferece um ponto de partida potente, especialmente considerando que muitos estudantes da EJA têm vivências escolares interrompidas e diferentes níveis de proficiência linguística.

Trabalhar com letras de músicas como gênero textual na aula de inglês proporciona uma oportunidade de engajar os estudantes com conteúdos que dialogam com suas vivências, memórias afetivas e repertório cultural. Além disso, a música atua como ferramenta para o desenvolvimento linguístico, mas também para o letramento racial e social, ao permitir discussões sobre temas como identidade, pertencimento, desigualdade, resistência e ancestralidade.

Autores como Bob Marley, Nina Simone, Michael Jackson, Beyoncé, Gilberto Gil e Cardi B trazem em suas obras conteúdos potentes para análise linguística e crítica, possibilitando que o ensino de inglês se torne espaço de visibilidade para corpos e narrativas negras.

 

🎧 Sugestões de atividades práticas para a sala de aula da EJA (considerando o tempo de aulas da modalidade, os planos podem ser divididos em dois momentos):

Abaixo, convidamos você a refletir e compartilhar sua experiência:

  • Você já abordou questões raciais em suas aulas de inglês? Como foi essa experiência?
  • Quando você ouviu sobre o conceito de letramento racial?
  • Quais são os maiores desafios que você encontra para desenvolver práticas antirracistas?
  • De que forma a EJA amplia (ou desafia) suas perspectivas sobre raça, linguagem e ensino?
  • Que materiais, autores ou práticas você recomendaria para outros(as) docentes que desejam aprofundar o letramento racial e educação antirracista